Nota editorial (5 de novembro de 2026): artigo incorporado hoje ao Diving LATAM, arquivado sob 3 de novembro pela data do acontecimento ou anúncio original. A data de arquivo não corresponde à data real de publicação.
Quintana Roo informou que mais de 587 mil turistas praticaram atividades de mergulho em 2025, equivalentes a 2,9% dos visitantes. Apresentado na DEMA Show 2026, o número mede pessoas, não mergulhos individuais nem a receita do setor.
Redação Diving LATAM. Fotografia de arquivo de mergulhadores em cenote mexicano creditada a Francisco Davids / Pexels; não retrata o anúncio da DEMA.
Na DEMA Show de Nova Orleans, a Secretaria de Turismo de Quintana Roo (SEDETUR) informou em 3 de novembro que mais de 587 mil pessoas realizaram atividades de mergulho no Caribe mexicano durante 2025. O total corresponde a 2,9% dos turistas do destino. Fonte oficial.
Um indicador útil, mas incompleto
Um turista pode contratar várias imersões e serviços de diferentes operadoras. Assim, não é correto apresentar 587 mil turistas como 587 mil mergulhos, reservas ou clientes únicos de centros de mergulho. Tampouco é possível calcular o faturamento do setor multiplicando o número por um preço médio arbitrário.
Na apresentação da Guia de Cavernas e Grutas, em 29 de outubro, a SEDETUR informou participação de 2,4% em 2024 e 2,9% em 2025. A comparação merece análise, mas, sem metodologia detalhada, não comprova aumento proporcional da demanda ou da receita das empresas.
Sete destinos sob uma campanha
Isla Mujeres, Cancún, Puerto Morelos, Playa del Carmen, Cozumel, Tulum e Grand Costa Maya foram promovidos em conjunto. No entanto, seus produtos são diferentes: variam profundidade, ambientes, condições naturais, logística de embarcação e perfis de visitantes. Uma experiência introdutória no recife, um naufrágio e um passeio em caverna exigem controles operacionais distintos.
A atenção dada a cenotes e cavernas exige linguagem precisa. Mergulho guiado em caverna dentro da zona de luz não equivale a penetração em sistemas de cavernas. A divulgação responsável deve deixar claras as diferenças de formação, equipamentos e riscos.
O que falta medir
Uma avaliação setorial consistente exige gasto direto por mergulhador, atividade por município e temporada, quantidade real de imersões, ocupação das embarcações, empregos, incidentes, participação de empresas pequenas e pressão sobre os locais de mergulho. Também é necessário observar amarrações, capacidade de carga e estado ambiental de recifes e cenotes. O benefício ecológico não decorre automaticamente do aumento de visitantes.
Lição para a América Latina
O dado de Quintana Roo pode servir de referência para outros destinos de mergulho. Porém, determinar o verdadeiro valor do turismo subaquático exige saber quem recebe a renda, quem assume os custos e como se financia a conservação. Para profissionais, essas perguntas são mais úteis do que um número promocional isolado.



