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DEMA Show 2026: o que a indústria do mergulho buscará em seu encontro anual

De 3 a 6 de novembro, Nova Orleans reunirá fabricantes, centros de mergulho, certificadoras e operadores turísticos. Além dos equipamentos, o encontro permitirá observar como está mudando a maneira de ensinar, vender e organizar experiências subaquáticas.

Contacto comercial en una feria tecnológica; imagen ilustrativa, no DEMA

De 3 a 6 de novembro, Nova Orleans reunirá fabricantes, centros de mergulho, certificadoras e operadores turísticos. Além dos equipamentos, o encontro permitirá observar como está mudando a maneira de ensinar, vender e organizar experiências subaquáticas.

Uma vez por ano, boa parte da indústria internacional do mergulho se reúne longe da água.

Não há mergulhos programados entre os corredores do centro de exposições. Em seu lugar, aparecem demonstrações, conferências, reuniões comerciais, destinos turísticos e conversas sobre os problemas que os profissionais enfrentam durante o restante do ano.

Essa é a função do DEMA Show, um dos principais espaços de encontro profissional do setor.

A edição de 2026 acontecerá de 3 a 6 de novembro no Ernest N. Morial Convention Center, em Nova Orleans, Estados Unidos.

A organização anuncia a participação de mais de 500 empresas expositoras e uma programação com centenas de atividades educacionais. Trata-se de números previstos para a edição, e não de resultados finais de participação.

Para os profissionais latino-americanos, o encontro oferece uma oportunidade de observar tendências internacionais e avaliar quais poderiam ter consequências reais em seus mercados.

Uma indústria que volta a se reunir com força

Os números das edições anteriores permitem dimensionar o evento.

Segundo as estatísticas oficiais da DEMA, a edição de 2025 registrou 507 empresas expositoras e 6.768 participantes presenciais verificados, incluindo visitantes e pessoal dos expositores.

Em 2024, foram 477 empresas expositoras e 5.605 participantes presenciais verificados sob essa mesma classificação.

O crescimento é relevante, embora deva ser interpretado dentro de seu contexto: esses números descrevem a participação em um evento profissional, e não o número total de mergulhadores ativos nem o crescimento econômico de toda a indústria.

O DEMA Show é, principalmente, uma feira de negócios. A participação é direcionada a profissionais e empresas vinculados ao mergulho, aos esportes aquáticos e às viagens especializadas.

Por isso, seus corredores oferecem algo diferente de uma exposição aberta ao consumidor: permitem observar decisões que poderão influenciar a oferta comercial dos próximos anos.

A tecnologia já não termina no equipamento de mergulho

Historicamente, os equipamentos de respiração, instrumentos e acessórios ocuparam um lugar importante nas feiras do setor.

Entretanto, o programa educacional de 2026 mostra que a inovação também está chegando às operações comerciais.

Entre as sessões anunciadas aparecem temas relacionados a plataformas digitais de formação, sistemas de reservas, posicionamento nos mecanismos de busca, comunicação com clientes e inteligência artificial.

A transformação não se limita ao uso de novos aplicativos.

Durante anos, numerosos centros de mergulho organizaram grande parte de suas operações por meio de telefonemas, e-mails, formulários e conversas pessoais.

Essas ferramentas continuam funcionando, mas as expectativas dos viajantes mudaram.

Os clientes podem comparar destinos, consultar disponibilidade e contratar atividades de diferentes países antes de chegar à sua hospedagem.

A questão para os operadores é como responder a essa demanda sem perder o atendimento pessoal que caracteriza o ensino e as experiências subaquáticas.

As sessões comerciais do programa apontam precisamente para esse equilíbrio.

A formação também está mudando

Feira de tecnologia; imagem ilustrativa, não é a DEMA Show
Feira de tecnologia; imagem ilustrativa, não é a DEMA Show. Fotografia: Matheus Bertelli / Pexels.

Outro dos temas presentes na programação é a evolução dos sistemas de ensino.

Os materiais digitais, as avaliações, as ferramentas de acompanhamento e a educação continuada fazem parte das conversas do encontro.

Mas digitalizar conteúdos não equivale a transformar toda a formação em uma experiência virtual.

O mergulho continua exigindo habilidades que precisam ser demonstradas na água, supervisão adequada e capacidade de responder a situações imprevistas.

As ferramentas digitais podem facilitar a preparação teórica e a administração dos cursos. A capacitação prática conserva sua importância essencial.

Para a América Latina, onde destinos internacionais convivem com comunidades que dispõem de recursos educacionais muito diferentes, a acessibilidade dessas tecnologias merece atenção especial.

Também importam a disponibilidade de conteúdos em espanhol e português, os custos para os instrutores e a possibilidade de adaptar ferramentas a conexões de internet e estruturas empresariais diversas.

Segurança: das respostas individuais à gestão de riscos

A programação anunciada inclui sessões sobre fatores humanos, gestão de riscos e segurança operacional.

Esses temas refletem uma evolução importante na conversa profissional.

A segurança não depende exclusivamente de um instrutor conhecer os procedimentos de emergência. Também exige organizações que identifiquem perigos, documentem decisões, mantenham equipamentos e preparem suas equipes.

A Divers Alert Network participa do programa educacional com conteúdos relacionados à medicina do mergulho e à prevenção de acidentes.

Para um centro latino-americano, adotar essas práticas não exige necessariamente a compra de novos equipamentos sofisticados.

Em muitos casos, começa pela revisão dos procedimentos existentes: controles prévios, avaliações das condições ambientais, capacitação da equipe, planos de emergência e registros operacionais.

A tecnologia pode ajudar, mas a disciplina diária continua sendo indispensável.

O turismo de mergulho busca algo além de destinos atraentes

A viagem de mergulho combina vários setores: transporte aéreo, hospedagem, embarcações, operadores locais e profissionais especializados.

Essa combinação transforma os destinos latino-americanos em participantes naturais do mercado internacional.

O Caribe, o Pacífico Oriental Tropical, as costas brasileiras e outras regiões oferecem experiências muito diferentes.

Mas competir internacionalmente exige algo além de mostrar fotografias de recifes ou espécies emblemáticas.

Os compradores profissionais também precisam conhecer acessibilidade, confiabilidade operacional, condições de segurança, temporadas, capacidade de atendimento e características reais das experiências.

O programa da DEMA inclui formação específica sobre desenvolvimento de viagens, fidelização e diversificação de serviços.

Para os operadores latino-americanos, essas conversas podem ajudar a compreender como se estruturam as relações com agências, organizadores de grupos e empresas emissoras de turistas.

Sustentabilidade: uma condição para o futuro do setor

Conferência profissional; imagem ilustrativa
Conferência profissional; imagem ilustrativa. Fotografia: Pavel Danilyuk / Pexels.
Exposição comercial; imagem ilustrativa, não é a DEMA Show
Exposição comercial; imagem ilustrativa, não é a DEMA Show. Fotografia: Matheus Bertelli / Pexels.

A conservação marinha também aparece na programação do encontro.

Não é um assunto separado da atividade econômica.

Os recifes, a biodiversidade e a qualidade ambiental fazem parte dos recursos naturais que sustentam numerosos destinos de mergulho.

Quando um ecossistema se deteriora, as consequências afetam a vida marinha e podem se estender às comunidades e empresas que dependem do turismo.

Por isso, as práticas de baixo impacto, os programas de conservação e a relação entre operadores e áreas naturais protegidas têm uma dimensão econômica além da ambiental.

Uma discussão relevante será como transformar esses princípios em procedimentos habituais e verificáveis, em vez de utilizá-los apenas como argumentos promocionais.

O que a América Latina deveria observar

O valor de participar de uma feira internacional não pode ser medido somente pela quantidade de contatos realizados ou equipamentos observados.

Para os profissionais da região, há pelo menos quatro assuntos que merecem acompanhamento:

  • Formação: ferramentas que melhorem o ensino sem enfraquecer os componentes práticos nem aumentar injustificadamente os custos.
  • Operação: soluções que reduzam erros administrativos, melhorem as reservas e permitam conhecer melhor a rentabilidade.
  • Segurança: procedimentos capazes de fortalecer a prevenção e a resposta a emergências.
  • Conservação: iniciativas que possam ser realmente aplicadas nos destinos e medidas ao longo do tempo.

A indústria latino-americana tem condições particulares. Uma solução desenvolvida para um grande mercado emissor não necessariamente funcionará da mesma forma em um pequeno centro da América Central ou em uma operação remota do Pacífico.

Essa diferença exige observar as novidades com critério.

O DEMA Show 2026 permitirá conhecer propostas e tendências, mas sua utilidade dependerá do que os profissionais fizerem depois com essas informações.

Uma feira pode iniciar conversas. A evolução da indústria acontece quando essas conversas se transformam em melhores práticas, operações mais sólidas e experiências de mergulho mais responsáveis.

Este artigo também está disponível em: Español · English

Fontes documentais

Sobre o autor

Redação Diving LATAM

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