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Segurança no mergulho recreativo: protocolos que os operadores deveriam aplicar

Um mergulho seguro começa muito antes de entrar na água e termina depois que todos os participantes retornam. Examinamos os procedimentos essenciais que deveriam fazer parte das operações profissionais de mergulho.

Buceador comprobando su equipo en cubierta

Um mergulho seguro começa muito antes de entrar na água e termina depois que todos os participantes retornam. Examinamos os procedimentos essenciais que deveriam fazer parte das operações profissionais de mergulho.

A embarcação está pronta para sair. Os cilindros estão carregados, o capitão verifica as condições do mar e os passageiros começam a preparar seus equipamentos.

Em uma operação bem organizada, boa parte do trabalho de segurança já deveria estar concluída.

As certificações foram verificadas, as informações médicas pertinentes foram revisadas, as condições ambientais avaliadas e existe um procedimento para responder a uma emergência.

Entretanto, esses controles nem sempre são visíveis para o cliente.

A segurança do mergulho recreativo depende de numerosas decisões pequenas que, em conjunto, ajudam a reduzir os riscos.

A Divers Alert Network (DAN) desenvolveu materiais de prevenção destinados especificamente a operadores, instrutores e profissionais do mergulho.

Suas recomendações oferecem uma referência útil para examinar quais procedimentos deveriam ser incorporados a uma operação organizada.

A segurança começa pela avaliação do participante

Um dos erros mais importantes seria presumir que uma certificação demonstra, por si só, que uma pessoa está preparada para qualquer mergulho.

Um mergulhador pode possuir uma credencial válida e estar há vários anos sem praticar.

Também pode ter experiência em águas tranquilas, mas não estar familiarizado com correntes intensas, entradas a partir de embarcações ou condições de visibilidade limitada.

Antes de confirmar a atividade, o operador deveria verificar o nível de certificação, a experiência recente e a correspondência entre as capacidades do participante e as características do local.

A revisão da aptidão médica exige aplicar os questionários e procedimentos correspondentes, respeitando a confidencialidade das informações.

Quando houver uma resposta que exija avaliação médica, deve-se seguir o procedimento aplicável antes de autorizar a participação.

O objetivo não é excluir clientes arbitrariamente, mas identificar situações que exigem avaliação adicional ou uma atividade mais apropriada.

Todo mergulho deve ter um plano

Toda saída precisa de planejamento adequado ao local e às condições reais.

O profissional responsável deve considerar profundidade prevista, duração, consumo de gás, limites aplicáveis, correntes, meteorologia, pontos de entrada e saída e procedimentos diante da separação do grupo.

A composição dos participantes também importa.

Um grupo de pessoas recém-certificadas pode exigir um esquema de supervisão diferente daquele aplicado a mergulhadores experientes que conhecem o local.

O número máximo permitido por uma norma ou padrão não representa necessariamente o número ideal para todas as condições.

As proporções de supervisão devem cumprir os requisitos aplicáveis e ser ajustadas de maneira conservadora quando as circunstâncias exigirem.

A decisão de cancelar ou modificar um mergulho deve fazer parte normal da gestão de riscos.

O briefing não é uma formalidade

Mergulhadores preparando equipamentos num bote inflável
Mergulhadores preparando equipamentos num bote inflável. Fotografia: Pia B / Pexels.

As explicações anteriores a um mergulho podem se transformar em rotina.

Quando o guia repete instruções automaticamente, existe o risco de omitir informações relevantes ou presumir conhecimentos que os participantes não possuem.

Um briefing eficaz deve explicar as características do local e os procedimentos previstos.

Entre os temas importantes estão os sinais de comunicação, o sistema de duplas, os limites de profundidade e tempo, o controle de gás, a navegação, o comportamento diante da perda do grupo e as regras ambientais.

Também devem ser explicados os procedimentos de entrada e saída, especialmente quando existem correntes, ondulação ou movimento da embarcação.

A DAN recomenda incorporar mecanismos de contagem de mergulhadores e verificações de equipamentos realizadas pelos próprios participantes e seus companheiros, sob a supervisão correspondente.

A finalidade do briefing não é concluir uma apresentação. É garantir que o grupo compreenda como a atividade será desenvolvida.

A verificação do equipamento deve ser sistemática

O equipamento de mergulho contém componentes que necessitam de manutenção e inspeção periódicas.

Reguladores, sistemas de flutuabilidade, conexões, cilindros e instrumentos devem estar em condições apropriadas para utilização.

Antes de entrar na água, cada mergulhador precisa verificar o funcionamento do equipamento.

A verificação entre companheiros inclui conferir o sistema de flutuabilidade, as conexões, a disponibilidade de gás, os reguladores, as fontes alternativas de ar e os mecanismos de liberação do lastro.

Os equipamentos de aluguel exigem um programa documentado de manutenção e critérios claros para retirar componentes defeituosos de serviço.

Uma falha detectada antes do mergulho pode ser resolvida em condições controladas.

Ignorá-la ou improvisar um reparo de última hora aumenta desnecessariamente a exposição ao risco.

O papel do capitão e da tripulação

A segurança de uma saída embarcada não depende apenas do guia que acompanha o grupo debaixo d’água.

O capitão e a tripulação desempenham funções essenciais na navegação, vigilância de superfície, recuperação de mergulhadores e resposta a emergências.

A DAN recomenda procedimentos específicos para embarcações utilizadas em operações de mergulho.

Entre eles estão a preparação dos meios de comunicação, a verificação dos equipamentos de emergência, o controle de passageiros e os protocolos para prevenir lesões provocadas por hélices.

Durante as operações de entrada e saída, o motor e a hélice devem ser administrados seguindo procedimentos seguros e as regras de navegação aplicáveis.

Também deve existir um sistema eficaz para contabilizar todas as pessoas antes e depois de cada mergulho.

Uma contagem informal não deveria substituir um procedimento verificável.

Oxigênio de emergência: disponibilidade e capacitação

Verificação do equipamento antes de um mergulho de praia
Verificação do equipamento antes de um mergulho de praia. Fotografia: Hossam Ashoor / Pexels.

O oxigênio de emergência faz parte do equipamento essencial recomendado para atender determinadas lesões relacionadas ao mergulho.

Não basta dispor de um cilindro.

É necessário verificar que o sistema funcione, que os acessórios estejam completos e que exista uma quantidade adequada para responder durante o tempo de evacuação previsto.

A equipe designada deve estar capacitada para utilizá-lo.

A DAN recomenda que os operadores considerem a distância até os serviços médicos, as características da embarcação e a possibilidade de mais de uma pessoa precisar de assistência.

Os materiais de primeiros socorros devem ser inspecionados periodicamente e protegidos da umidade e da deterioração.

Um desfibrilador externo automático pode fortalecer a resposta diante de determinadas emergências cardíacas, desde que haja pessoal treinado para utilizá-lo.

O oxigênio de primeiros socorros não substitui a avaliação médica nem os tratamentos especializados eventualmente necessários.

Um plano de emergência que funcione na prática

Um dos documentos mais importantes de uma operação é seu Plano de Ação de Emergência.

Ele deve contemplar incidentes previsíveis em cada local e estabelecer responsabilidades concretas.

O que acontece se um mergulhador não aparecer na superfície? Como se coordena a busca inicial? Quem solicita ajuda? Onde está o equipamento de oxigênio? Qual é o procedimento para transportar uma pessoa ferida?

Essas decisões não deveriam ser improvisadas quando já existe uma emergência.

A DAN recomenda que os planos considerem as características específicas do centro, da embarcação e de cada ponto de mergulho.

Também devem contemplar os meios de comunicação disponíveis, as rotas de evacuação e a localização dos serviços médicos apropriados.

Conhecer a localização de uma câmara hiperbárica pode ser útil, mas isso não significa que ela deva ser sempre o primeiro destino do paciente.

O atendimento médico inicial e a coordenação com os serviços de emergência são fundamentais para determinar os passos seguintes.

Os simulados permitem verificar se os procedimentos escritos realmente podem ser executados com a equipe e os recursos disponíveis.

O marco regulatório: obrigações e boas práticas

No México, a NOM-012-TUR-2016 regulamenta a prestação de serviços turísticos de mergulho e consta como vigente no sistema oficial de normalização.

Contempla disposições sobre informação, segurança, prestação de serviços e equipamentos, além de requisitos relacionados a guias e estabelecimentos.

Inclui limites e proporções de supervisão que dependem do programa e do nível do participante, de sua idade e de outras condições estabelecidas pela norma.

Não existe uma proporção única que possa ser aplicada indiscriminadamente a todas as atividades.

Em outros países latino-americanos, as obrigações legais e administrativas podem ser diferentes.

As normas ISO sobre serviços recreativos e as recomendações técnicas da DAN oferecem referências adicionais, mas não substituem a legislação local.

É importante distinguir entre uma exigência legal, uma norma de formação e uma boa prática operacional.

O cumprimento de uma não demonstra automaticamente o cumprimento das demais.

Grupo de mergulhadores durante uma imersão
Grupo de mergulhadores durante uma imersão. Fotografia: Pexels User / Pexels.

Uma cultura de segurança se constrói todos os dias

A segurança não se resolve por meio de uma única capacitação nem com a compra de equipamentos.

Exige procedimentos repetíveis, responsabilidades conhecidas e capacidade de revisar erros.

Um centro deveria registrar incidentes e situações que quase se transformaram em acidentes, mesmo quando não provocaram lesões.

Essa análise permite encontrar problemas antes que voltem a acontecer.

Também é importante que a equipe possa comunicar preocupações sem pressão para continuar uma atividade quando as condições não forem apropriadas.

A qualidade de uma operação se manifesta especialmente nas decisões difíceis: modificar um percurso, reduzir participantes, mudar o local ou cancelar uma saída.

Os clientes podem se lembrar de um recife, de uma tartaruga ou de um encontro inesperado com a vida marinha.

Para que essas experiências continuem sendo possíveis, o trabalho menos visível precisa ser mantido com o mesmo rigor que o atendimento debaixo d’água.

A prevenção não elimina todos os riscos do mergulho. Mas permite que os operadores os identifiquem, administrem e estejam melhor preparados quando algo não acontece conforme o previsto.

Este artigo também está disponível em: Español · English

Fontes documentais

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Redação Diving LATAM

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