Costa Rica, Panamá, Colômbia e Equador trabalham há mais de duas décadas para proteger uma região marinha cuja ecologia não respeita fronteiras políticas. Com um Plano de Ação 2025–2035, o Corredor Marinho do Pacífico Leste Tropical busca melhorar a conectividade das áreas protegidas e apoiar atividades econômicas compatíveis com a conservação.
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Os tubarões-martelo observados ao redor de Malpelo não permanecem necessariamente em águas colombianas. Tartarugas, cetáceos e outras espécies migratórias cruzam jurisdições nacionais. Essa realidade fundamenta o CMAR, iniciativa criada pela Declaração de San José em 2004. Galápagos, Ilha do Coco, Malpelo, Gorgona e Coiba são conhecidos destinos de mergulho, mas o corredor é muito mais do que uma rota de expedições.

Um corredor que conecta ecossistemas, não apenas ilhas
O CMAR nasceu ao redor de cinco áreas protegidas emblemáticas. Sua estrutura foi ampliada e hoje reconhece dez áreas núcleo, incluindo incorporações no Equador, Costa Rica, Colômbia e Panamá. A ampliação responde a um problema da conservação: proteger uma ilha ou recife não garante proteção das rotas utilizadas por animais migratórios.
O Equador criou em 2022 a Reserva Marinha Hermandad, com 60 mil quilômetros quadrados a nordeste de Galápagos e diferentes regimes de proteção pesqueira. Seu desenho procura conservar corredores de espécies migratórias.
O CMAR, porém, não é um parque contínuo sob um regulamento único. Cada área mantém sua legislação, autoridades e instrumentos de gestão. A cooperação regional busca coordenação sem substituir competências nacionais.

Um plano de ação aprovado para 2025–2035
Em 7 de outubro de 2025, o Comitê Regional Ministerial do CMAR aprovou o Plano de Ação 2025–2035, disponibilizado publicamente em 2026. O documento foi elaborado com participação de instituições dos quatro países e apoio do Banco Mundial por meio do PROBLUE.
O plano reúne cinco eixos: governança regional; conservação e gestão da biodiversidade; uso sustentável dos recursos biológicos; controle e fiscalização; e mudanças climáticas. Inclui iniciativas de pesquisa, financiamento, coordenação institucional e turismo.
A aprovação não garante resultados. A implementação exigirá recursos, continuidade das políticas públicas, equipes e instrumentos de avaliação. A distinção entre anunciar metas e demonstrar mudanças ecológicas será decisiva na próxima década.
O turismo integra o plano de conservação
O mergulho dá visibilidade internacional a partes do Pacífico Leste Tropical. Agregações de tubarões, fauna pelágica e ambientes insulares atraem viajantes interessados em expedições especializadas. Isso cria potencial econômico, mas também pressão sobre locais sensíveis.
O grupo regional de turismo do CMAR trabalha no intercâmbio de experiências e boas práticas. O plano prevê elaborar ou atualizar orientações regionais de turismo responsável, buscando benefícios às comunidades sem comprometer os ecossistemas.
Gerir turismo não é apenas cobrar tarifas mais altas ou impor cotas arbitrárias. Cada área precisa avaliar capacidade ecológica, regras de acesso, fiscalização e atividades permitidas. Visitantes devem aceitar o comportamento natural dos animais, inclusive quando a espécie esperada não aparece.
Quatro países, regras e realidades diferentes
O Equador administra Galápagos e Hermandad; a Costa Rica, Ilha do Coco e a Área Marinha de Manejo Bicentenário; a Colômbia possui locais como Malpelo e Gorgona; o Panamá inclui Coiba e Cordillera de Coiba. Essas áreas diferem em ecologia, acessibilidade e gestão.
Uma autorização válida em uma reserva não permite operar em outra. Limites de visitantes, regras de fundeio e exigências para guias não devem ser extrapolados entre países. As condições da viagem dependem tanto da navegação e experiência do mergulhador como das regras da área.
Em alguns territórios, o turismo pode se integrar à economia das comunidades residentes; em outros, operadores partem de portos distantes. Essa diferença altera quanto da receita permanece perto do ecossistema visitado.
| País | Áreas destacadas |
|---|---|
| Equador | Galápagos e Hermandad |
| Costa Rica | Ilha do Coco e Área Marinha de Manejo Bicentenário |
| Colômbia | Malpelo e Gorgona |
| Panamá | Coiba e Cordillera de Coiba |

Tubarões têm valor, mas não são atrações a controlar
Tubarões-martelo tornaram-se um dos símbolos internacionais do CMAR. Representam biodiversidade e atraem turismo especializado, mas nenhuma operação responsável pode garantir uma agregação em determinada data ou profundidade.
Perseguir, encurralar ou alterar deliberadamente a movimentação de um animal para obter fotografias contraria a observação responsável. Condições ambientais, reprodução e disponibilidade de alimento influenciam a distribuição da fauna silvestre.
A comunicação comercial precisa explicar essa incerteza. Um encontro com animais não pode ser obrigação que justifique interferir em seu comportamento.
Fiscalização, comunidades e a prova dos resultados
Espaços oceânicos são extensos e difíceis de fiscalizar. Pesca não autorizada, pressão sobre recursos e limitações de controle desafiam as autoridades. O plano do CMAR dedica um eixo à fiscalização e cooperação, incluindo tecnologias de monitoramento. Dados só são úteis quando existem instituições capazes de verificá-los e agir.
A gestão também afeta comunidades pesqueiras, operadores e pesquisadores com interesses distintos. Restrições exigem evidências, participação e regras claras. Incluir uso sustentável entre os objetivos do CMAR não significa permitir qualquer atividade.
Na próxima década, importará verificar se habitats e populações se mantêm ou se recuperam, se a fiscalização melhora e se as atividades econômicas respeitam limites ambientais. Para os operadores de mergulho, as tarefas incluem cumprir regras, comunicar impactos e participar de iniciativas científicas coordenadas. Proteger o Pacífico Leste Tropical significa preservar as ilhas famosas e as águas que as conectam.
Conservação e desenvolvimento local exigem participação
A proteção marinha tem consequências para comunidades pesqueiras, empresas turísticas e organizações dependentes do oceano. Novas restrições anunciadas sem participação ou alternativas viáveis podem gerar conflitos que enfraquecem a gestão de longo prazo.
O uso sustentável integra os eixos do CMAR porque a conservação precisa considerar realidades sociais diferentes. Isso não significa permitir qualquer atividade. Exige decisões baseadas em evidências, regras claras, monitoramento e diálogo com os grupos envolvidos.



